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Archive for março \29\UTC 2012

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Em meu programa Café Brasil 276 – O mundo pós-ideia , conto que na Inglaterra do século 16 as moedas tinham seu valor de face determinado conforme a quantidade de ouro com que eram cunhadas. Quanto mais pesadas, mais ouro continham e, portanto, valiam mais. Sir Thomas Gresham, conselheiro da Rainha Isabel I da Inglaterra, em 1558 afirmou que se o estado decidisse cunhar novas moedas com o mesmo valor facial, mas com menos quantidade de ouro, os agentes econômicos tenderiam a guardar a moeda mais pesada, com mais ouro, a moeda boa, e fazer circular a moeda mais leve, com menos ouro, a má. A frase “A moeda má expulsa a moeda boa” ficou conhecida como a Lei de Gresham.
Bem, esta semana escolhi o tema “ironia” para montar um de meus programas de rádio e podcasts. Ao preparar o texto, pedi a meu amigo Minás Kuyumjian Neto que escrevesse algo sobre o tema. E ele começou assim: “Conta-se que, por volta de 1970, período mais negro da nossa ditadura, o escritor e humorista Millôr Fernandes estava em um coquetel quando foi procurado por um general tido como truculento, que lhe disse sorrindo: ‘Então você é o famoso humorista? Me conta uma piada’. Millôr teria respondido rapidamente: ‘Só se o senhor der uns tiros de canhão’.”

Esse era o Millôr. Irônico, sarcástico e genial.

Pois quando eu estava terminando o texto do programa recebi a notícia: Millôr Fernandes morrera no Rio de Janeiro, aos 87 anos. Lembrei que nas semanas anteriores haviam ido, aos 69 anos, nosso principal estudioso do comportamento animal Cesar Ades; aos 63 anos, o pioneiro no estudo de células-tronco Julio Voltarelli; aos 88 anos, o geógrafo Aziz Ab’Saber; e aos 86, Chico Anysio.

Cesar, Julio, Aziz, Chico e Millôr, todos geniais em seus campos de atuação, partindo quase ao mesmo tempo. Quanto dessa sangria de gênios um país pode suportar? Depende, especialmente da capacidade de reposição. Mas veja as idades deles: o mais novo se foi aos 63 anos! Todos formados numa época muito diferente da atual.

Lembrei-me imediatamente daquele mesmo programa Café Brasil 276, quando usei um texto do jornalista norte americano Noel Gabler chamado As 14 maiores ideias do ano. Lá pelas tantas, após nominar vários cientistas e intelectuais de renome, Noel solta esta pérola: “Uma geração atrás, esses homens teriam chegado à revistas populares e às telas da televisão. Agora, eles são expelidos pelo tsunami informacional.” E arremata: “Vemos a substituição do intelectual público na mídia em geral pelo sabichão que troca extravagâncias por ponderação, e o consequente declínio do ensaio em revistas de interesse geral. E temos a ascensão de uma cultura cada vez mais visual, especialmente entre os jovens – uma forma menos favorável à expressão de ideias.”

A moeda má expulsando a moeda boa…

Cesar, Julio, Aziz, Chico e Millôr eram moedas boas. O que é que vai circular no lugar deles?

.Luciano Pires via Cultura News

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Se ser adulto é abafar o riso em público, é deixar de falar o que pensa por não ser o momento adequado, é deixar de brigar pelo último pedaço, lamento te decepcionar. Gente grande é muito limitada. Eu não cresci, minhas idéias é que ficaram altas.

.Renata Fagundes

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O corpo humano é a carruagem.
Eu, o homem que a conduz.
O pensamento, as rédeas.
Os sentimentos, os cavalos

.Platão

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Ils en étaient déboussolés de voir que l’on tenait quand même
Et nous les premiers étonnés de récolter
Ce que l’on sème
Ce que l’on s’aime
.Tryo.

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A partir daí, por conseguinte, prosseguem cada vez mais no caminho da riqueza, e, quanto mais preciosas as julgam, menos valor atribuem à virtude. Ou não é certo que a virtude difere da riqueza tal como se elas se inclinassem em direções opostas, quando cada uma se coloca num prato da balança?

.Platão em A República

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