Feeds:
Posts
Comentários

voyage, voyage

voyage, voyage

outubro que nos espere.

Recordação

Mais uma postagem com boas doses de amor e com algumas gotas de lágrimas.

“Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado”, ele disse, me olhando pelo retrovisor. Fiquei sem reação: tinha pegado o táxi na Nove de Julho, o trânsito estava ruim, levamos meia hora para percorrer a Faria Lima e chegar à rua dos Pinheiros, tudo no mais asséptico silêncio, aí, então, ele me encara pelo espelhinho e, como se fosse a continuação de uma longa conversa, solta essa: “Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado”.

Meu espanto, contudo, não durou muito, pois ele logo emendou: “Nunca vou esquecer: 1º de junho de 1988. A gente se conheceu num barzinho, lá em Santos, e dali pra frente nunca ficou um dia sem se falar! Até que cinco anos atrás… Fazer o que, né? Se Deus quis assim…”.

Houve um breve silêncio, enquanto ultrapassávamos um caminhão de lixo e consegui encaixar um “Sinto muito”. “Obrigado. No começo foi complicado, agora tô me acostumando. Mas sabe que que é mais difícil? Não ter foto dela.” “Cê não tem nenhuma?” “Não, tenho foto, sim, eu até fiz um álbum, mas não tem foto dela fazendo as coisas dela, entendeu? Que nem: tem ela no casamento da nossa mais velha, toda arrumada. Mas ela não era daquele jeito, com penteado, com vestido. Sabe o jeito que eu mais lembro dela? De avental. Só que toda vez que tinha almoço lá em casa, festa e alguém aparecia com uma câmera na cozinha, ela tirava correndo o avental, ia arrumar o cabelo, até ficar de um jeito que não era ela. Tenho pensado muito nisso aí, das fotos, falo com os passageiros e tal e descobri que é assim, é do ser humano, mesmo. A pessoa, olha só, a pessoa trabalha todo dia numa firma, vamos dizer, todo dia ela vai lá e nunca tira uma foto da portaria, do bebedor, do banheiro, desses lugares que ela fica o tempo inteiro. Aí, num fim de semana ela vai pra uma praia qualquer, leva a câmera, o celular e tchuf, tchuf, tchuf. Não faz sentido, pra que que a pessoa quer gravar as coisas que não são da vida dela e as coisas que são, não? Tá acompanhando? Não tenho uma foto da minha esposa no sofá, assistindo novela, mas tem uma dela no jet ski do meu cunhado, lá na Guarapiranga. Entro aqui na Joaquim?” “Isso.”

“Ano passado me deu uma agonia, uma saudade, peguei o álbum, só tinha aqueles retratos de casório, de viagem, do jet ski, sabe o que eu fiz? Fui pra Santos. Sei lá, quis voltar naquele bar.” “E aí?!” “Aí que o bar tinha fechado em 94, mas o proprietário, um senhor de idade, ainda morava no imóvel. Eu expliquei a minha história, ele falou: ‘Entra’. Foi lá num armário, trouxe uma caixa de sapatos e disse: ‘É tudo foto do bar, pode escolher uma, leva de recordação’.”

Paramos num farol. Ele tirou a carteira do bolso, pegou a foto e me deu: umas 50 pessoas pelas mesas, mais umas tantas no balcão. “Olha a data aí no cantinho, embaixo.” “Primeiro de junho de 1988?” “Pois é. Quando eu peguei essa foto e vi a data, nem acreditei, corri o olho pelas mesas, vendo se achava nós aí no meio, mas não. Todo dia eu olho essa foto e fico danado, pensando: será que a gente ainda vai chegar ou será que a gente já foi embora? Vou morrer com essa dúvida. De qualquer forma, taí o testemunho: foi nesse lugar, nesse dia, tá fazendo 25 anos, hoje. Ali do lado da banca, tá bom pra você?”

.Antonio Prata

(Escritor. Publicou livros de contos e crônicas, entre eles “Meio Intelectual, Meio de Esquerda” (editora 34). Escreve aos domingos na versão impressa de “Cotidiano”.)

Sweet Lorraine

A Rolling Stone alerta que essa história contém doses de tristeza e pode gerar lágrimas. Eu digo que essa história contém doses altíssimas de amor. A lágrimas? Ah! Essas são inevitáveis.

Fred Stoubaugh, um senhor de 96 anos residente de Illinois, nos Estados Unidos, ficou cabisbaixo depois que Lorraine, 91, morreu e colocou fim a um casamento de 73 anos. Mesmo não sendo músico, Stoubaugh escreveu uma letra para homenagear a esposa e entrou para a lista de dez músicas mais vendidas da iTunes Store norte-americana. Ouça abaixo.

A música foi feita inicialmente para um concurso promovido pelo estúdio Green Shoes, que recebeu de diversos concorrentes links com músicas. Mas de Stoubaugh, chegou a eles uma carta com a história de amor e a letra da música. “Doce Lorraine, gostaria que pudéssemos viver todos os bons momentos de novo”, diz a letra.

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

(“Memória” – declamado por Carlos Drummond de Andrade, seu autor)

acho sim.

ele me guia.

ele me guia.

(Quase)Psicóloga

1238872_532171090183486_55774324_n

E lá se foram cinco anos.

Acho que. não por acaso fiquei com o G e o I. Essas letras significam mais do que muitas do alfabeto. Elas são minha mãe e meu pai. Gerlane e Ivanildo. Eu sou eles. Minha conquista é conquista deles. Meu amor é deles.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 1.117 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: