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Posts Tagged ‘mia couto’

Cem Sonetos de Amor. Pablo Neruda

A insustentável leveza do ser. Milan Kundera

A Imagem-tempo. Gilles Deleuze. 

O Último Voo do Flamingo. Mia Couto

via Grifei num Livro

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É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha. A chamada Grande Muralha foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente, morreram mais chineses construindo a Muralha do que vítimas das invasões do Norte. Diz-se que alguns dos trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção. Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora de quanto o medo nos pode aprisionar.

Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos. Mas não há hoje no mundo muro que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do norte, do ocidente e do oriente… Citarei Eduardo Galeano acerca disso que é o medo global:

“Os que trabalham têm medo de perder o trabalho. Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho. Quem não têm medo da fome, têm medo da comida. Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.”

E, se calhar, acrescento agora eu: há quem tenha medo que o medo acabe.

.Mia Couto

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O último voo do flamingo fala de uma perversa fabricação de ausência – a falta de uma terra toda inteira, um imenso rapto de esperança praticado pela ganância dos poderosos. O avanço desses comedores de nações obriga-nos a nós, escritores, a um crescente empenho moral. Contra a incidência dos que enriquecem à custa de tudo e de todos, contra os que têm as mãos manchadas de sangue, contra a mentira, o crime e o medo, contra tudo isso se deve erguer a palavra dos escritores.

.Mia Couto,  12 de junho de 2001

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há poucas semanas, estava eu na biblioteca da faculdade quando me deparei com um livro chamado “O último voo do flamingo”. o título me chamou bastante atenção, achei bonitinho, por isso aluguei o livro – confesso. logo iniciei a leitura e me perdi em Tizangara. o livro é diferente do que eu já havia lido, fala sobre o período pós-guerra civil Moçambique. é uma história de ficção sobre os tempos em que soldados da ONU estiveram integrados na missão de manutenção de paz no país – Tizangara, porém é uma vila fictícia.

desde o início da leitura, iniciei uma busca obsessiva pela vida e obra do autor: Mia Couto. seu nome não me era estranho. já tinha visto diversos trechos seus espalhados pela internet, porém nunca havia procurado saber que é verdadeiramente Mia Couto. procurei. procurei. procurei. Rodrigo até me ajudou a procurar. e descobri um Mia admirável! ele é moçambicano – filho de portugueses. é poeta, biólogo e jornalista. já tem alguns livros lançados aqui no Brasil – cópias fiéis das obras lançadas lá em Moçambique. além disso, é bastante engajado politicamente – algo difícil de ver hoje em dia. para que vocês entendam melhor a minha afeição por ele, colocarei alguns trecho de uma entrevista dada por Mia Couto ao Outras Palavras no último dia 13.

“Política é um assunto tão sério que não pode ser deixado só nas mãos dos políticos. Temos de reinventar uma maneira e fazer política, porque isso afeta a nós todos. Faço isso pela via da escrita, da literatura, já que me mantenho jornalista e colaboro com jornais. Também faço intervenções como visitar bairros pobres onde as pessoas não recebem meu tipo de mensagem. Essa é a minha militância”, explica. Atualmente, afirma manter uma distância crítica do governo, controlado pela Frelimo desde a independência, em 1975. Para ele, a proximidade entre o discurso e a prática do partido se distanciaram, mas afirma não haver ressentimento ou sensação de traição, pois considera que esse fenômeno se reproduz em todo o mundo. Ao contrário, se diz grato por seu tempo de militância partidária. “Fazer política hoje exige grande criatividade, temos de saltar fora de modelos, mas o modelo de fazer política faliu. Em todo o lado do mundo. Então é preciso reinventar, ter imaginação. Para ter imaginação é preciso sair fora dos padrões que vemos”.

“Acredita-se que a periferia pode dar jogador, cantor, dançarino, mas poeta? No sentido de que o poeta não produz só uma arte, mas pensamento… Acho que o grande racismo, a grande maneira de excluir o outro, é dizer que o outro pode produzir o que quiser, até o bonito, mas pensamento próprio, não. E vi aqui que havia um pensamento que está muito vivo e está fazendo acontecer coisas”.

é ou não para admirar um cara desses?

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O que mais dói na miséria é a
ignorância que ela tem de si mesma.
Confrontados com a ausência de tudo,
os homens abstém-se do sonho,
desarmando-se do desejo de serem outros.

.Mia Couto em Vozes Anoitecidas

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Primeiro escuto, começa sempre por aí. Qualquer escritor é um escutador em primeiro lugar. Depois capturo o que me comoveu e me roubou o chão. Tem de ser algo quase que me dissolve. Uma frase, uma pessoa, um momento, tem de tomar posse de mim, fico perdido. Depois para dar um sentido às coisas tenho de sair de mim, e aí começa a história.

.Mia Couto

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